Escrevo para registrar o que pulsa: minhas raízes, periféricas, a força das mulheres e os caminhos que abrem quando a vida insiste em florescer. Aqui compartilho reflexões, afetos e lutas que atravessam meu território e minha existência.

01/03/2018

Territórios de dor, morte e exclusão.

Por: Leila Rosa Palheta.

Territórios de dor, morte, exclusão. A periferia brasileira é território que sofre com a discriminação de gênero e cor.
Todos os dias os jornais estampam execuções nas periferias do Brasil a fora. É fácil dizer que as mortes de nossos jovens pretos, pobres e periféricos aconteceram por que estavam envolvidos com o tráfico de drogas. Essa versão simplória que justifica tantos assassinatos, demonstra o quanto nossas vidas negras não importam para o Poder Público.
Pobre, negra e periférica são perfis que polícia  utiliza para fazer abordagens vexatórias, pois temos a cor da morte, dos suspeitos; estamos sempre na beira do enfrentamento, na defensiva, em qualquer situação seremos acusados e julgados. A quem interessa exterminar o nosso povo?
O racismo cientifico já disse: que a maioria dos traficantes são pretos e periféricos. As cadeias são a prova disso, a comunidade carcerária em sua grande maioria é formada por jovens, pretos e periféricos.
Só não dizem que se algumas vezes nos tornamos reféns do tráfico é por causa da ausência de políticas públicas voltadas para a população periférica.
Por conta do racismo cientifico o Judiciário, que é formado por 80% de homens brancos e de clas

se média, julga a partir da cor. Assim ficamos reféns de um sistema racista, machista, homofobico e sexista.
O que fazer diante dessa guerra civil que a população negra e periférica vem enfrentando?
É preciso ganhar as ruas, temos aproximadamente um país formado por uma maioria de pessoas pobres e negras. Esse é o medo daqueles que são racistas, que não suportam que pobre e preto tenham seus direitos respeitados, fazendo justiça social, invertendo valores e investindo na educação de todos os povos, pois a verdadeira revolução acontece através da educação. 
Somos um país de face negra. Segundo o IBGE, os negros (pretos e pardos) eram a maioria da população brasileira em 2014, representando 53,6% da população. Os brasileiros que se declaravam brancos eram 45,5%). 
Esse dado deve ser motivo de orgulho e jamais de preconceito e de violência cotidiana, como hoje acontece.
A esses senhores que estão no poder, o que interessa é o crescimento desordenado da população, que será sempre uma mão-de-obra barata e subalterna. Por isso, não legalizam o aborto, pois nosso útero hospeda a futura massa trabalhadora, preta e pobre.
Mas a face negra, pobre e periférica do Brasil está ganhando consciência. 
Estamos lutando. 
Seremos invencíveis.                        

 Bjus da Preta.

 

 

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